quinta-feira, 10 de abril de 2008

10 de Abril

Queridos todos

Cá estou eu a escrever-vos do IPO. Confesso que desta estava com a esperança de não ter que vir para cá isolar... O princípio da semana passada foi complicado mas parecia que eu tinha conseguido dar conta das complicações apesar de estar há tantos dias com 0 neutrófilos. Sexta-feira foi um bom dia, no fim de semana estava animada. Mas segunda-feira 7, quando acordei da sesta e me preparava para ir fazer transfusões de plaquetas e eritrócitos, a Mãe achou que eu estava muito quente... e quente eu estava! Andava nos 40! Assim em vez de ser visita curtinha, viemos de armas e bagagens.

Fechada em casa, a única coisa que me fez falta esta semana foi não ir à Missa. Gosto tanto da leitura dos Actos dos Apóstolos que é feita nesta altura a seguir à Páscoa. A minha mãe diz que a história da Igreja nascente é muito impressionante e eu acho que a minha mãe tem toda a razão. É comovente o entusiasmo e a coragem dos primeiros cristãos. É um exemplo ver como partilhavam a sua fé, os seus dons... Mas gosto também do testemunho de que nem sempre estavam de acordo e nem sempre as coisas corriam bem. E que era rezando juntos e conversando que iam resolvendo os problemas. É perfeitamente assombrosa aquela passagem: «Com efeito, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor outro peso além do seguinte indispensável...» (Actos 15, 28)

Como só temos razões para gostar da Igreja! É ela que nos dá o nosso Deus vivo, todos os dias, sempre, sobretudo através dos sacramentos. A mim, na Unção dos Doentes que tanto alívio e alento me dá. Na Eucaristia, onde Deus é acessível palavra e alimento, presente, amigo, santificador, o céu já na terra... Na Reconciliação, maravilha de bondade e alegria que tudo renova e pacifica… Estou como o Francisco, desejosa de fazer a minha Primeira Comunhão. E estou confiante porque, como dizia a Santa Teresinha do Menino Jesus, ainda que eu viesse a fazer todos os pecados do mundo, se me arrepender, eles não seriam que uma pequena gota de água no braseiro do Amor de Deus!

A todos, queridos amigos, um enorme obrigada porque sinto que não abrandam o vosso carinho e as vossas orações por mim. Eu lá vou pedindo ao Jesus pelas vossas intenções. O Cardeal Sean [www.cardinalseansblog.org, post de 28 de Março, a homilia está para o fim delineada com um filete à esquerda] contou na sua homilia de Páscoa, que na Roménia, nesta altura do ano as pessoas cumprimentavam-se dizendo, não ‘Bom dia’ ou ‘Olá!’ mas sim «Cristo ressuscitou!» e o outro respondia «Ressuscitou de facto!». E eu como eles quero-vos dizer Aleluia! Até para a semana, beijinhos Marta.

PS- Agora que a última quimio está concluida já me marcaram para dia 16 de Abril o preparatório da radioterapia. Até lá tenho de ganhar novamente forças para iniciar novo processo. A doença, como tudo na vida, é feita de pequenos passos, ou melhor, no meu caso, de pequenos passinhos.

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Dear everyone

Here I am, writing to you from the hospital. I must confess this time I was hoping not to have to come here to isolate… The beginning of last week was difficult but it seemed to me I was able to shake off complications despite the fact that I had had zero neutrophiles for a while. Friday went well; I was upbeat during the weekend. But on Monday 7th, when I woke up from my nap to go to the hospital for blood and platelet transfusions (our stake and fries), my Mother thought I had the fever… and what a fever I had! So instead of coming for a short time, we arrived with our luggage. It turns out that the high fever was caused by some sort of bug (I heard they talk of bacteria) that is going around in my catheter. So you see, when our dear doctors tell us we must hurry to the hospital when fever starts, they are not over reacting: they know what they’re up against. God willing, we will get rid of the bug with antibiotics...

Isolated at home, the only thing I really missed was not going to Mass. My Parents told me that it is during this period after Easter that the history of the beginnings of the Church is being read from the book Acts of the Apostles. And I was very impressed. How moving is the enthusiasm, the courage, and the optimistic persistence of the first Christians. What an example, the way they shared their faith and their gifts… And I thought it was great that they admitted they weren’t always in agreement and that things weren’t always right. Life is much like that. But they prayed together and talked things over and managed to solve their problems. And God was always with them. And they were quite aware of how phenomenal that is: “For it has seemed good to the Holy Spirit and to us to lay upon you no greater burden than these necessary things...” (Acts 15:28)

How dearly I love the Church! It is she who gives us our living God, everyday, always, especially through the sacraments. To me, the Anointing of the Sick has given such relief and strength. In the Eucharist, our God is available, word and food, present, friend, sanctifier, heaven already on earth… Reconciliation, that wonder of goodness and joy that renews and pacifies all… I feel like Francisco, one of the children of the Fatima apparitions, so eager to have my First Communion… but I still have such a long time to wait. And I am confident, like Saint Thérèse of the Child Jesus, that should I commit all the sins of the world, if I repent, they would be but a small drop of water in the unquenching fire of God’s Love!

To each of you, dear friends, a huge thank you, for I feel you do not waver in your care and prayers for me. I, on the other hand, keep entrusting your intentions to Jesus. In his Easter homily, Cardinal Sean [www.cardinalseansblog.org, March 28 post, towards the end] tells how people in Rumania, at this time of the year, would not greet each other with a ‘Good Morning’ or ‘Hello!’ but would say «Christ is risen!» to which the other would reply «He is truly risen!» And I, like them, want to say to you: Alleluia!

PS. Now that the chemotherapy treatment is concluded, I have been scheduled to go for a preparatory radiotherapy appointment on April 16th. I shall have to build up my strength till then. The illness, much like life, is made of small steps. Better yet, tiny steps.

Till next week, love Marta

1 comentário:

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